Irregularidade após lipoaspiração: por que acontece e como é feita a correção

Luiza Zonzini • September 1, 2026

Resposta rápida

Irregularidade após lipoaspiração é a complicação mais comum desse procedimento e se manifesta como ondulações, depressões, sulcos, assimetria, áreas endurecidas ou manchas escuras na região tratada.


As causas mais frequentes são: aspiração em camada muito superficial, uso de cânulas de calibre grosso, lipoaspiração puramente mecânica sem emulsificação prévia da gordura, falha de planejamento técnico e fibrose desorganizada durante a cicatrização. A correção é avaliada de 6 a 12 meses após a cirurgia inicial e costuma combinar três etapas: liberação das fibroses e aderências com ultrassom, reposição de volume com enxerto de gordura tratada e aplicação de nanofat para melhorar a qualidade do tecido. Dependendo do grau de comprometimento, o tratamento pode ser resolvido em um único tempo cirúrgico ou exigir mais de uma etapa.


Resumo em 6 pontos

    Frequência: a irregularidade de contorno é a complicação mais relatada após lipoaspiração, com incidência descrita entre 2,35% e 9% dos casos.

    Principal fator de risco: a lipoaspiração superficial tem risco maior de irregularidade do que a técnica em camada profunda.

    Prevenção descrita na literatura: cânulas de menor diâmetro, movimentos em direções cruzadas, emulsificação da gordura com ultrassom intraoperatório (VASER) e leve subcorreção do volume.

    Diagnóstico: nem toda depressão é falta de gordura. Parte delas é aderência cicatricial puxando a pele para dentro, e o tratamento é diferente.

    Momento da correção: aguardar de 6 a 12 meses até que o edema resolva e a fibrose se acomode.

    Tratamento atual: liberação da fibrose com ultrassom, enxerto de gordura para volume e nanofat para regeneração do tecido.


O que é considerado uma irregularidade após lipoaspiração

O termo reúne alterações diferentes na superfície do corpo. Reconhecer qual delas você tem é o primeiro passo do planejamento, porque cada uma tem uma causa e um tratamento próprios. As formas mais frequentes são:

    Depressões e covinhas: áreas afundadas, onde saiu gordura em excesso ou onde a pele ficou presa ao tecido profundo.

    Ondulações: superfície com aspecto de ondas, mais visível em pé e sob luz lateral.

    Sulcos lineares: marcas retas que acompanham o trajeto por onde a cânula passou.

    Assimetria: um lado do corpo com mais volume que o outro.

    Fibrose: pontos endurecidos formados pelo tecido cicatricial que se organiza dentro do corpo durante a cicatrização.

    Sobras de pele e dobras: quando a retirada de gordura não veio acompanhada de retração adequada da pele.

    Manchas escuras: alteração de cor da pele sobre a região tratada, chamada de hipercromia.

Essas alterações costumam aparecer combinadas, e o grau de comprometimento varia muito de pessoa para pessoa. Por isso não existe protocolo único de correção.


Com que frequência a irregularidade após lipoaspiração acontece?

A irregularidade de contorno é a complicação mais frequentemente relatada após lipoaspiração. Uma revisão de quase 2.400 casos de lipoaspiração superficial encontrou taxa global de complicações em torno de 8,6%, sendo a irregularidade de contorno a mais comum entre elas. Outros levantamentos descrevem deformidade de contorno em cerca de 2,35% dos casos, número que sobe para até 9% quando se consideram queixas de depressões, elevações, dobras e ondulações relatadas pelas próprias pacientes.

Em outras palavras: não é raro, não é impressão sua e, na maioria dos casos, não tem relação com falta de cuidado no pós-operatório.


Por que a irregularidade após lipoaspiração acontece: as causas mais frequentes

Entender a causa é o que permite planejar a correção certa. Uma depressão provocada por retirada excessiva de gordura pede um tratamento diferente de uma depressão provocada por aderência cicatricial.


1. Aspiração em camada muito superficial

A gordura do corpo está organizada em camadas. A camada mais superficial, logo abaixo da pele, é justamente a que sustenta a superfície e dá o aspecto liso. Quando a aspiração é feita muito próxima à pele, essa sustentação é comprometida e o resultado aparece como ondulação ou afundamento. A literatura é consistente ao apontar a lipoaspiração superficial como fator de risco maior para irregularidade quando comparada à técnica convencional em camada profunda.


2. Lipoaspiração puramente mecânica, sem emulsificação da gordura

Quando a gordura é retirada apenas pela força mecânica da cânula, a remoção tende a ser menos uniforme e mais traumática para as estruturas ao redor.


O que é o VASER: trata-se de um ultrassom aplicado dentro do tecido durante a cirurgia, antes da aspiração. Ele emulsifica a gordura, ou seja, transforma o tecido gorduroso em uma emulsão de consistência mais fluida, o que permite que ela seja aspirada de forma mais uniforme e com menos trauma sobre vasos, nervos e as tramas de sustentação da pele. Essa uniformidade na remoção é justamente o que reduz o risco de deixar áreas com mais gordura ao lado de áreas com menos, que é a origem da ondulação.

O ultrassom intraoperatório não elimina o risco de irregularidade e não substitui a técnica do cirurgião, mas contribui de forma relevante para um resultado mais homogêneo quando bem indicado.


3. Cânulas de calibre grosso

Quanto maior o diâmetro da cânula, maior a quantidade de gordura removida a cada movimento e menor a precisão do refinamento. Cânulas de menor calibre permitem trabalhar por camadas com mais controle. As recomendações clássicas de prevenção na literatura incluem exatamente isso: cânulas de menor diâmetro, evitar a aspiração das camadas mais superficiais, trabalhar em múltiplas direções cruzadas e deixar uma leve subcorreção, já que parte do volume ainda se reduz ao longo da cicatrização.


4. Falha de planejamento e de execução técnica

A lipoaspiração é uma cirurgia de precisão. Ela depende de marcação pré-operatória cuidadosa, de conhecimento das zonas de aderência natural do corpo, que são regiões onde a pele é mais presa ao tecido profundo e exigem manejo específico, da uniformidade dos movimentos e da avaliação constante do contorno durante o ato cirúrgico. Quando alguma dessas etapas falha, o desenho final fica comprometido.


5. Fibrose e cicatrização irregular no pós-operatório

Nem toda irregularidade nasce na sala de cirurgia. A fibrose faz parte natural da cicatrização, mas quando se organiza de forma desigual ela pode puxar a pele para dentro e criar depressões que não existiam nas primeiras semanas. Retorno precoce a atividades intensas, drenagem linfática insuficiente e uso inadequado da cinta são fatores que contribuem.


6. Características individuais da paciente

Qualidade e elasticidade da pele, grau de flacidez prévio, presença de celulite antes da cirurgia e histórico pessoal de cicatrização influenciam bastante o resultado. Duas pacientes submetidas exatamente à mesma técnica podem evoluir de formas diferentes por conta disso, e esse é um dos motivos pelos quais nenhuma cirurgia tem resultado garantido.


Tipo de irregularidade, causa provável e abordagem

A tabela abaixo resume como cada alteração costuma ser interpretada na avaliação clínica. Ela é orientativa e não substitui o exame presencial.

E quando a pele também fica manchada?

Esse ponto costuma ser pouco explicado e merece clareza.

Quando a pele sofre trauma e inflamação, os pigmentos podem se depositar de forma irregular no tecido, gerando o que se chama de hiperpigmentação pós-inflamatória, ou hipercromia. É uma alteração relatada em uma parcela relevante das pacientes após lipoaspiração e tende a melhorar ao longo do primeiro ano. Em parte dos casos, porém, ela não desaparece por completo. Peles naturalmente mais pigmentadas têm risco maior.

O manejo envolve fotoproteção rigorosa, cuidados tópicos orientados por médico e, em casos selecionados, tecnologias específicas. O que não é correto é prometer que a cor voltará exatamente ao que era antes. Em algumas situações a melhora é parcial, e essa informação precisa estar clara antes de qualquer plano de tratamento.


Quanto tempo esperar antes de corrigir?

A recomendação predominante na literatura é aguardar de 6 a 12 meses após a lipoaspiração antes de indicar uma cirurgia de revisão. Esse intervalo existe para que o edema se resolva e a fibrose se acomode, já que o contorno continua se modificando por vários meses.

Isso não significa ficar parada esperando. Irregularidades que persistem além de 3 a 4 meses merecem avaliação e podem se beneficiar de terapias não cirúrgicas nesse intervalo, o que às vezes reduz bastante a extensão da correção posterior.


Como a correção da irregularidade após lipoaspiração é planejada

O plano é individualizado, mas o raciocínio clínico costuma percorrer os seguintes passos:

1.    Avaliação e mapeamento das áreas. exame físico em pé, com iluminação adequada, marcando cada depressão, ondulação e área endurecida. É nesta etapa que se diferencia o que é falta de volume do que é aderência cicatricial, porque o tratamento de cada um é diferente.

2.    Liberação das fibroses e aderências com ultrassom. as regiões em que a pele está presa ao tecido profundo precisam ser soltas antes de qualquer reposição de volume. Se você preenche uma depressão sem liberar a aderência que a causa, o volume se acomoda ao redor e a covinha continua lá. Essa liberação é feita com ultrassom e com técnicas de subcisão, que soltam as tramas cicatriciais.

3.    Reposição de volume com enxerto de gordura tratada. a gordura autóloga, retirada da própria paciente, é usada para devolver volume às áreas afundadas. O preparo desse enxerto é uma etapa técnica decisiva: a forma como a gordura é colhida, processada e injetada influencia diretamente quanto dela sobrevive no local.

4.    Aplicação de nanofat para melhorar a qualidade do tecido. quando a gordura é processada até partículas muito pequenas, o objetivo deixa de ser volume e passa a ser regeneração. Esse material é rico em fatores de crescimento e em células-tronco derivadas do tecido adiposo, e é aplicado justamente para melhorar a qualidade de tecidos fibrosados e cicatriciais. Na prática, ele trabalha o problema por dentro, e não apenas a superfície.

5.    Pós-operatório orientado. compressão adequada, drenagem linfática, retorno gradual às atividades e acompanhamento próximo. A cicatrização dessa segunda cirurgia é tão importante quanto a técnica empregada nela.

6.    Reavaliação e possíveis novas etapas. parte do enxerto de gordura é naturalmente reabsorvida pelo organismo. Em irregularidades leves, um único tempo cirúrgico costuma dar conta. Em casos mais comprometidos, pode ser necessário mais de um tempo de enxertia, com intervalo entre eles. Isso não é falha do tratamento, faz parte do planejamento e precisa ser combinado desde o início.


Uma cirurgia resolve tudo?

Depende do grau de comprometimento, e essa é a resposta correta ainda que não seja a mais confortável.

Irregularidades localizadas e superficiais têm chance de correção em um único tempo cirúrgico. Casos com fibrose extensa, retirada excessiva de gordura em áreas amplas ou alteração importante da qualidade da pele em geral exigem abordagem em etapas. Nenhum resultado é garantido, e a cirurgia de revisão, como qualquer procedimento, tem indicações, contraindicações e riscos que precisam ser discutidos individualmente em consulta.


O que faz diferença no resultado da correção

Três fatores concentram a maior parte do resultado na correção de irregularidade após lipoaspiração:

    Diagnóstico preciso da causa: identificar se cada alteração vem de falta de gordura, de aderência cicatricial ou de alteração da pele.

    Liberação adequada antes de repor volume: sem soltar a fibrose, o enxerto não se acomoda onde deveria.

    Preparo cuidadoso do enxerto: a colheita, o processamento e a técnica de injeção determinam quanto da gordura sobrevive.


Perguntas frequentes

A irregularidade pode melhorar sozinha?

Nos primeiros meses, em parte sim. Muito do que se vê no início é edema e fibrose em organização. Por isso a reavaliação depois de 6 meses é tão importante antes de decidir por cirurgia.


Massagem e drenagem linfática resolvem?

Ajudam bastante durante a fase de cicatrização e podem reduzir fibroses em formação. Uma vez que a irregularidade se estabelece por falta de gordura ou por aderência já organizada, esses recursos isolados dificilmente corrigem.


A gordura enxertada permanece?

Parte dela é reabsorvida naturalmente, em proporção que varia de pessoa para pessoa. Por isso o planejamento já considera essa reabsorção e, em alguns casos, prevê mais de uma etapa de enxertia.


Qual a diferença entre enxerto de gordura e nanofat?

O enxerto de gordura convencional repõe volume nas áreas afundadas. O nanofat é a mesma gordura processada até partículas muito pequenas, e seu objetivo não é volume, e sim melhorar a qualidade do tecido fibrosado por meio de fatores de crescimento e células-tronco. Na prática, os dois costumam ser usados na mesma cirurgia, com finalidades diferentes.


O VASER é a mesma coisa que laser?

Não. O VASER usa ondas de ultrassom aplicadas dentro do tecido para emulsificar a gordura antes da aspiração, tornando a remoção mais uniforme. O laser trabalha por energia luminosa e tem outras aplicações. Na prevenção e na correção de irregularidade de contorno, o recurso empregado é o ultrassom.


Posso fazer a correção com outro cirurgião?

Sim. A cirurgia de revisão pode ser conduzida por outro profissional. O mais importante é que ele tenha experiência específica em correção de contorno corporal e em enxertia de gordura.


A correção deixa cicatriz?

As incisões usadas são pequenas, semelhantes às da lipoaspiração, e posicionadas em locais discretos sempre que possível. A cicatrização, no entanto, varia conforme o organismo de cada pessoa.


Próximo passo

Se você convive com irregularidade após lipoaspiração, o caminho começa por uma avaliação presencial que identifique exatamente o que causou cada alteração no seu caso. A partir daí é possível construir um plano realista, com as etapas necessárias e o que esperar de cada uma delas.


Dra. Luiza Zonzini, cirurgiã plástica na Clínica Civitali, em São Paulo, com atuação em contorno corporal e cirurgia de revisão de lipoaspiração.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Toda cirurgia exige avaliação individual e possui indicações, contraindicações e riscos, que devem ser discutidos com seu cirurgião plástico.


September 1, 2026
Você treina peitoral com constância, controla a alimentação, perde gordura em outras áreas do corpo, e mesmo assim o volume nas mamas continua ali. Evitar tirar a camiseta na praia, escolher roupa mais larga, cruzar os braços na foto: quem convive com ginecomastia sabe que o incômodo é menos sobre estética e mais sobre liberdade.  A boa notícia é que existe explicação clínica para isso, e ela quase nunca é falta de esforço. A ginecomastia é o crescimento do tecido glandular mamário no homem, e glândula não responde a treino nem a déficit calórico. O que muda o resultado da cirurgia de ginecomastia não é apenas a técnica usada no centro cirúrgico, é o que se descobre antes dela: o que exatamente está aumentado, em que proporção, e por qual motivo. Este texto explica, em linguagem direta, como esse diagnóstico é feito hoje e por que ele é a peça central para um resultado natural e estável ao longo do tempo. Ginecomastia verdadeira e pseudoginecomastia: não é a mesma coisa O primeiro passo de qualquer avaliação séria é separar dois quadros que parecem iguais no espelho, mas têm tratamentos diferentes. Ginecomastia verdadeira Há proliferação do tecido glandular mamário, geralmente concentrado atrás da aréola. Ao exame, costuma se apresentar como um disco firme, mais denso que a gordura ao redor, às vezes sensível ao toque. É um tecido fibroso, com comportamento diferente da gordura: não diminui com dieta, não diminui com exercício e não responde a tratamentos corporais externos. Pseudoginecomastia Aqui não existe aumento de glândula. O volume vem de acúmulo de gordura na região peitoral, o que chamamos de lipomastia. A consistência é mais macia, mais difusa, sem aquele núcleo firme retroareolar. Esse quadro pode melhorar parcialmente com emagrecimento, embora a gordura localizada do peitoral costume ser resistente e frequentemente permaneça mesmo após perda de peso importante. O cenário mais comum: as formas mistas Na prática de consultório, a apresentação mais frequente não é nem uma nem outra em estado puro. A maioria dos pacientes tem glândula aumentada e excesso de gordura na mesma mama, em proporções diferentes de um caso para outro. Tratar apenas um dos dois componentes é justamente o que produz aqueles resultados incompletos, com contorno irregular ou com volume residual que frustra o paciente. Por isso o planejamento precisa quantificar os dois componentes antes da cirurgia, e não estimá-los na mesa. Por que o ultrassom pré-operatório é indispensável O exame físico é fundamental, mas tem limite. Em pacientes com maior percentual de gordura, palpar a glândula com precisão é difícil, e a proporção entre glândula e gordura simplesmente não é visível de fora. O ultrassom de mamas no pré-operatório resolve isso. Ele permite: 1. Confirmar se existe tecido glandular e, portanto, se o caso é de ginecomastia verdadeira, pseudoginecomastia ou forma mista. 2. Estimar a proporção entre glândula e gordura, o que define diretamente a técnica cirúrgica escolhida e o tamanho da incisão. 3. Avaliar a distribuição do tecido , já que a glândula nem sempre está simetricamente distribuída entre os dois lados. 4. Descartar outras alterações , incluindo nódulos e lesões que precisam de investigação própria antes de qualquer procedimento estético. Câncer de mama masculino é raro, mas existe, e ignorar essa etapa não é uma opção. Estudos recentes vêm inclusive investigando métodos de imagem tridimensional para quantificar de forma objetiva os componentes glandular e adiposo antes da cirurgia de ginecomastia, o que reforça a direção clara da literatura: quanto mais objetivo o pré-operatório, mais previsível o planejamento. Em situações selecionadas, o cirurgião pode complementar a investigação com outros exames de imagem, sempre de forma individualizada. Quais exames investigam a causa da ginecomastia Aqui está o ponto que costuma ser negligenciado e que tem relação direta com recidiva. Operar a mama resolve o que já cresceu. Se o estímulo que fez a glândula crescer continuar ativo, o tecido pode voltar a proliferar. Investigar a causa antes da cirurgia é, portanto, parte do tratamento. A avaliação normalmente inclui: História clínica e medicamentos em uso. Diversas substâncias estão associadas ao surgimento de ginecomastia, entre elas alguns anti-hipertensivos, antiandrogênicos, antidepressivos, antifúngicos e medicações para refluxo. O uso de esteroides anabolizantes e de moduladores hormonais para performance é uma causa frequente em homens jovens que treinam, e precisa ser conversado abertamente, sem julgamento, porque muda a conduta. Avaliação hormonal. Os exames laboratoriais mais utilizados na investigação incluem testosterona total e livre, estradiol, LH, FSH, SHBG, prolactina, TSH e T4 livre. Esse painel ajuda a identificar hipogonadismo, alterações da tireoide e hiperprolactinemia. Marcadores tumorais quando indicados. Beta hCG e alfafetoproteína entram na investigação quando há suspeita de tumor de células germinativas testicular, situação rara, porém relevante. Função hepática e renal. Doença hepática e insuficiência renal alteram o metabolismo dos hormônios sexuais e podem estar por trás do quadro. Avaliação de outras condições associadas , como uso crônico de álcool, obesidade e algumas doenças endócrinas. Quando toda essa investigação vem normal, classificamos a ginecomastia como idiopática, e ela segue perfeitamente tratável cirurgicamente. Quando alguma alteração é encontrada, o encaminhamento ao endocrinologista ou ao urologista antes da cirurgia é o que protege o resultado a longo prazo. Essa etapa não é burocracia, é o que diferencia um tratamento de uma correção temporária. Retirada da glândula e lipoaspiração ultrassônica: por que andam juntas Mesmo em ginecomastias verdadeiras, com glândula claramente aumentada, quase sempre existe um componente de gordura associado no peitoral. Retirar apenas a glândula nesse cenário costuma deixar contorno insatisfatório, com a mama ainda volumosa e sem definição da linha peitoral. Por isso a associação da lipoaspiração à ressecção glandular se tornou padrão nos casos mistos. E a escolha da tecnologia importa. A lipoaspiração ultrassônica utiliza energia de ultrassom para emulsificar a gordura antes da aspiração. Na região peitoral masculina, onde a gordura é mais fibrosa e aderida do que em outras áreas, isso traz vantagens práticas: aspiração mais uniforme, menos trauma mecânico sobre os tecidos vizinhos e menor risco de irregularidades e depressões no contorno final, que são difíceis de corrigir depois. Um efeito adicional descrito na literatura é o estímulo à retração da pele promovido pela energia ultrassônica aplicada no plano subdérmico. Séries publicadas com lipoaspiração ultrassônica associada à ressecção glandular por incisão mínima descrevem boa retração cutânea, cicatrizes discretas e baixas taxas de complicações. Vale lembrar que retração de pele é um processo biológico individual, e a resposta varia de paciente para paciente. A ressecção da glândula, por sua vez, costuma ser feita por uma incisão pequena no bordo inferior da aréola, posicionada na transição de cor da pele, o que ajuda a cicatriz a ficar discreta. E quando existe flacidez de pele associada? Esse é o segundo ponto que define a técnica. Depois de retirar glândula e gordura, sobra o envelope de pele. O quanto essa pele vai se adaptar ao novo contorno depende do grau de flacidez prévia, da elasticidade individual, da idade e de eventual histórico de grande perda de peso. O planejamento segue basicamente três caminhos: Flacidez leve. Na maioria dos casos, a própria retração natural da pele associada ao estímulo da lipoaspiração ultrassônica e ao uso correto da cinta compressiva é suficiente. Não é necessária nenhuma incisão adicional. Flacidez moderada. Aqui entram as tecnologias de retração cutânea. O argônio aplicado no plano subdérmico, conhecido como argoplasma, é uma dessas opções: a energia promove contração das fibras de colágeno e estímulo à neocolagênese, favorecendo a retração da pele sem cicatrizes adicionais. A indicação é criteriosa e depende da avaliação da qualidade da pele de cada paciente. Flacidez importante. Quando o excesso cutâneo é grande, sobretudo após perda de peso expressiva ou em ginecomastias de longa data, nenhuma tecnologia substitui a ressecção de pele. Nesses casos, a retirada do excesso é planejada com o desenho que melhor esconde as cicatrizes, e essa troca precisa ser conversada com clareza antes da cirurgia: aceita-se uma cicatriz maior em troca de um contorno adequado. A escolha entre esses caminhos é individual e definida na consulta, com exame físico e ultrassom em mãos. Recuperação da cirurgia de ginecomastia, passo a passo A recuperação é parte ativa do resultado, não um período de espera passiva. Primeiros dias. Inchaço e equimoses são esperados. Repouso relativo, com caminhadas leves liberadas precocemente para reduzir risco trombótico, conforme orientação individual. Cinta compressiva por no mínimo um mês. Este é um item inegociável e específico: precisa ser a cinta modeladora de peitoral própria para ginecomastia, e não qualquer faixa elástica. Ela controla o edema, mantém o descolamento aderido ao plano correto, ajuda a evitar acúmulo de líquido e favorece a acomodação da pele sobre o novo contorno. O uso é praticamente contínuo no primeiro mês e depois reduzido de forma gradual, conforme a evolução de cada paciente. Protocolos de aceleração da recuperação. Drenagem linfática manual, terapias de estímulo à cicatrização e recursos de fotobiomodulação podem ser associados no pós-operatório para reduzir o inchaço mais rapidamente e tornar a recuperação mais confortável. Esses protocolos são personalizados de acordo com o procedimento realizado e com a resposta de cada organismo. Retorno às atividades. A volta ao trabalho de baixo esforço costuma ser rápida. Atividades aeróbicas leves são reintroduzidas progressivamente, sempre com liberação médica. Exercícios de impacto e força para peitoral: liberação completa após três meses. Supino, flexões, crossover e treinos de alta carga para o peitoral são liberados integralmente após o terceiro mês. Esse prazo respeita a cicatrização profunda dos tecidos e a estabilização do resultado. Antecipar essa etapa aumenta o risco de edema prolongado e de comprometer o contorno conquistado. O resultado definitivo da cirurgia de ginecomastia é avaliado em torno de seis meses, quando o edema residual já se resolveu e as cicatrizes amadureceram. Perguntas frequentes sobre ginecomastia Ginecomastia pode voltar depois da cirurgia? A recidiva é incomum quando a glândula é adequadamente ressecada e a causa de base foi investigada e tratada. O risco aumenta quando o fator causal permanece ativo, como no uso continuado de anabolizantes ou de medicamentos associados ao quadro. Exercício resolve ginecomastia? Exercício reduz gordura e melhora o contorno na pseudoginecomastia, mas não elimina tecido glandular. Na ginecomastia verdadeira, o treino de peitoral pode até tornar a glândula mais aparente. Preciso mesmo fazer o ultrassom antes? O ultrassom pré-operatório é o que confirma o diagnóstico, define a técnica e afasta outras alterações mamárias. É uma etapa de segurança e de precisão do planejamento. A cirurgia deixa cicatriz visível? Nos casos sem excesso importante de pele, a incisão costuma ser pequena e posicionada no bordo da aréola. Quando há necessidade de ressecção cutânea, as cicatrizes são maiores e planejadas previamente com o paciente. Próximo passo Se você se identificou com o que leu, o caminho começa por uma avaliação presencial com exame físico e ultrassom de mamas, seguida da investigação das possíveis causas. Só depois disso é possível dizer com honestidade qual técnica se aplica ao seu caso, o que esperar da recuperação e quais são os limites do procedimento. Toda cirurgia tem indicação, contraindicação e riscos, e a decisão precisa ser individualizada. Agende sua avaliação na Clínica Civitali. Dr. Matheus Borela, cirurgião plástico, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Clínica Civitali, São Paulo.
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Se você pesquisou como escolher um cirurgião plástico em São Paulo, provavelmente está vivendo um momento importante. Seja para realizar uma mamoplastia, abdominoplastia, lipoaspiração, blefaroplastia, rinoplastia, cirurgia pós-perda de peso ou qualquer outro procedimento, a escolha do profissional será o fator que mais influenciará sua segurança, sua experiência e seus resultados.